Um narrador seco e distante conta, sempre no presente, a
dura experiência de deslocamento de um garoto sul-africano. Em uma sociedade
baseada na violência - que por isso mesmo irradia para todas as instâncias do
cotidiano -, entre negros surrados por motivos banais, professores sádicos e
colegas de escola truculentos, John mantém viva, como pode, a identidade
"diferente". Tarefa difícil nessa infância nada rósea que J. M.
Coetzee evoca: com um pai falastrão e perdulário, uma mãe excessivamente bondosa
para esse mundo hostil e uma identidade familiar opaca - os Coetzee são de
origem africânder, mas falam inglês em casa -, o menino John encontra refúgio
só mesmo na introspecção, e o leitor testemunha a construção de uma
personalidade fechada e solitária, que é a um tempo herdeira e vítima da
brutalidade circundante.
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