Diante das alegrias e dificuldades da escrita, conta a
origem e a importância da frantumaglia para seu processo criativo, termo do
dialeto napolitano que sempre ouvira da mãe e, dentre os muitos sentidos, seria
uma instável paisagem mental, destroços infinitos que se revelam como a
verdadeira e única interioridade do eu; partilha ainda a angústia de criar uma
história e descobrir que não é boa o suficiente, e destaca a importância do
universo pessoal para o processo criativo. Nas trocas de correspondência, nos
bilhetes e nas entrevistas, a autora contempla a relação com a psicanálise, as
cidades onde morou, a maternidade, o feminismo e a infância, aspectos
fundamentais à produção de suas obras.
Frantumaglia é um autorretrato vibrante e íntimo de uma
escritora que incorpora a paixão pela literatura. Em páginas reveladoras,
traça, de maneira inédita, os vívidos caminhos percorridos por Elena Ferrante
na construção de sua força narrativa.
* * *
Uma história perversa e delicada sobre mãe e filha unidas
por um complicado nó de mentiras e emoções. Aos quarenta e cinco anos, Delia retorna a sua cidade natal,
Nápoles, na Itália, para enterrar a mãe, Amalia, encontrada morta numa praia em
circunstâncias suspeitas: a humilde costureira, que se acostumou a esconder a
beleza com peças simples e sem graça, usava nada além de um sutiã caro no
momento da morte. Revelações perturbadoras a respeito dos últimos dias de
Amalia impelem Delia a descobrir a verdade por trás do trágico acontecimento.
Avançando pelas ruas caóticas e sufocantes de sua infância, a filha vai
confrontar os três homens que figuraram de forma proeminente no passado de sua
mãe: o irmão irascível de Amalia, conhecido por lançar insultos indistintamente
a conhecidos e estranhos; o ex-marido, pai de Delia, um pintor medíocre que não
se importava em desrespeitar a esposa em público; e Caserta, uma figura sombria
e lasciva, cujo casamento nunca o impediu de cortejar outras mulheres.
Na mistura desorientadora de fantasia e realidade suscitada
pelas emoções que vêm à tona dessa investigação, Delia se vê obrigada a reviver
um passado cuja crueza ganha contornos vívidos na prosa elegante de Elena
Ferrante.
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