Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio
do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em
busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas
greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se
destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e
com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde,
Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso
não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com
Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país
muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.
Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena
literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor
para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial
e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além
de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.
* * *
Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente
Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu
pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida
de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano
é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a
irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de
sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente,
apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua
tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a
Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as
aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta
um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes
invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no
resto do continente.
Filha de uma família rica e
importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai
lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na
universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista
Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito
altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e
fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois
lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos -
condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e
criação do estado independente de Biafra.
Contado por meio de três pontos de
vista - além do de Olanna, a narrativa concentra-se nas perspectivas do
namorado de Kainene, o jornalista britânico Richard Churchill, e de Ugwu, um
garoto que trabalha como criado de Odenigbo -, Meio sol amarelo enfeixa várias
pontas do conflito que matou milhares de pessoas, em virtude da guerra, da fome
e da doença. O romance é mais do que um relato de fatos impressionantes: é o
retrato vivo do caos vislumbrado através do drama de pessoas forçadas a tomar
decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e
família, lealdade e traição.
* * *
No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos doze contos que
compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática
da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações
familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo,
como no conto que dá nome ao livro ― escrito em segunda pessoa ―, Adichie parte
da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós
e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa
em nossos tempos.







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