É uma obra fundamental para se entender as nuances das
opressões. Começar o livro tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma
pela qual a mulher negra foi desumanizada, nos dá a dimensão da impossibilidade
de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão
racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além
disso, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou
seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para
possibilitar um novo modelo de sociedade. Davis apresenta o debate sobre o
abolicionismo penal como imprescindível para o enfrentamento do racismo
institucional. Denuncia o encarceramento em massa da população negra como
mecanismo de controle e dominação. Dessa forma, questiona a ideia de que a mera
adesão a uma lógica punitivista traria soluções efetivas para o combate à
violência, considerando-se que o sujeito negro foi aquele construído como
violento e perigoso, inclusive a mulher negra, cada vez mais encarcerada.
Analisar essa problemática tendo como base a questão de raça e classe permite a
Davis fazer uma análise profunda e refinada do modo pelo qual essas opressões
estruturam a sociedade. Neste livro, tal discussão é sinalizada pela autora por
meio de sua abordagem do sistema de contratação de pessoas encarceradas nos
Estados Unidos, que já durante o período escravocrata permitia às autoridades
ceder homens e mulheres negros presos para o trabalho, em uma relação direta
entre escravidão e encarceramento como forma de controle social.Nesse sentido,
mesmo sendo marxista, Davis é uma grande crítica da esquerda ortodoxa que
defende a primazia da questão de classe sobre as outras opressões.
Problema com os links, favor avisar nos comentários da
respectiva postagem.







Nenhum comentário:
Postar um comentário