É talvez o divisor de águas de Virginia Woolf. Com ele, a
escritora abandonou todas as trivialidades, tudo aquilo que não era necessário,
e deixou apenas a poesia e o sentimento pulsantes, justamente o que prende o
leitor do início ao fim da obra. Um romance marcado por forte introspecção, sem
argumento definido, sem conversa, sem ação. Ele é todo escrito como discurso
direto de seis personagens – Bernard, Neville, Louis, Jinny, Susan, Rhoda – que
falam das suas inquietações, seus sentimentos escondidos. O sol nasce e se põe
e, em paralelo ao seu trajeto, nasce e se põe também a vida humana, a cada dia,
a cada suspiro, a cada convicção jogada fora.
* * *
Virginia Woolf era uma escritora consagrada quando concebeu
Flush, em 1931: em pleno verão inglês, deparou-se com a figura de um cão
inusitadamente vivo e esperto que brotava da correspondência entre os célebres
poetas vitorianos Elizabeth Barrett e Robert Browning. “A imagem do cachorro
deles me fez rir tanto que não pude deixar de dar-lhe vida”, confessou ela a
uma amiga para explicar a gênese do seu mais bem- humorado livro.
Deu-lhe não apenas uma vida, mas aventuras, amores, uma
consciência e capacidade de expressão. Publicado pela primeira vez na
Inglaterra em outubro de 1933, “Flush” é a deliciosa e inusitada biografia de
um cão. Mostra aventuras e mistérios da existência percebidos através dos olhos
do melhor amigo do homem. O personagem central dessa história é um cocker
spaniel de origem inglesa, Flush. Em pleno processo de apreensão do mundo e de
si mesmo, ele ama tanto os raios de sol quanto um pedaço de rosbife, a companhia
de cadelinhas malhadas assim como a companhia de seres humanos, o cheiro de
campos abertos tanto quanto ruas cimentadas e o burburinho da cidade. De
quebra, Virginia Woolf aproveita para tecer, em estilo deliciosamemente
espirituoso e bem-humorado, ácidos comentários sobre a sociedade inglesa e
vitoriana e seus valores.
O gênio criativo da autora permitiu que fosse dada à
inusitada idéia de uma biografia canina um tratamento virtuosístico. Embora
Virginia já fosse uma unanimidade entre a crítica, foi Flush o seu romance com
maior êxito entre os leitores, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos.
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Considerado uma obra-prima, Mrs. Dalloway conta uma história
das mais simples, que poderia ser resumida de forma banal na expressão “um dia
na vida de uma mulher”. Através da percepção do que se passa em torno e dentro
de Clarissa Dalloway, Virginia Woolf escreveu, na verdade, a história da crise
de um indivíduo, de uma classe, de uma sociedade e a do próprio romance.
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Segundo romance de Virginia Woolf, foi publicado em 1919,
quando ela estava com 37 anos. Experimentalista por excelência, o livro atira o
leitor dentro de uma sociedade, seus costumes, sua linguagem, num jogo de poder
e contestação. Trata-se de uma trama de amor entre Katherine Hilbery e Ralph
Denham, advogado, intelectual e burguês. O enredo se desenrola num estilo ao
mesmo tempo sólido e puro, e segue uma linhagem da tradição inglesa de grandes
novelistas como Jane Austen, Charlotte Brontë e George Eliot. Os personagens
são puro deleite, num romance belo e elegante em que Virginia Woolf experimenta
o tradicional. A magnífica tradução de Raul de Sá Barbosa, em Noite e Dia,
garante à sua edição nacional qualidade e prestígio à altura de toda a obra da
incomparável autora.
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O Quarto de Jacob:
O Quarto de Jacob é o livro que marca a passagem de Virgínia Woolf da literatura tradicional para o universo do experimentalismo, com o qual acabaria deixando sua revolucionária marca literária. Jacob Flanders é o personagem central de uma história, que não se revela e nem se conclui.
O Quarto de Jacob é o livro que marca a passagem de Virgínia Woolf da literatura tradicional para o universo do experimentalismo, com o qual acabaria deixando sua revolucionária marca literária. Jacob Flanders é o personagem central de uma história, que não se revela e nem se conclui.
Nesta obra, não é a ação que conduz a narrativa, mas os
tormentos, as dúvidas, as ambições, e os amores por pessoas e livros, que ditam
o rumo dos acontecimentos. A seqüência dos eventos é apresentada da mesma forma
aparentemente desconexa que rege a mente humana. Traduzido pela consagrada
autora Lya Luft, a obra se mantém repleta de nuanças.
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O mais popular livro de Virgínia Woolf, Orlando é uma
biografia fantástica de um nobre inglês nascido no século XVI que se transforma
em mulher e atravessa o tempo até chegar aos anos 20 do século XX. Orlando está
constantemente em busca do amor e da arte. Através das aventuras e desventuras
do personagem, Virgínia Woolf apresenta um panorama das transformações sofridas
pela Inglaterra e traça divertidas comparações entre homens e mulheres, que
acima de tudo servem para desenhar Orlando como um ser humano, independente do
sexo.
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Obra-prima da célebra escritora inglesa, este livro descreve
dois dias na casa de praia da família Ramsay. No primeiro, a família projeta um
passeio a um farol próximo, que não se realiza devido ao mau tempo; no segundo,
anos depois, o passeio se efetiva, mas não como esperado. Entre um e outro,
eclode a 1ª Guerra Mundial. Os efeitos da passagem do tempo, tema principal do
livro, revelam-se no aspecto da casa abandonada, além das alusões ao destino
das personagens.
Passeio ao farol foge aos moldes do romance tradicional.
Utilizando a técnica do monólogo interior e mudanças constantes do foco
narativo, a escritora penetra fundo na existência humana, diluindo a divisão
entre consciência e realidade exterior.
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Virginia Woolf escreveu vários ensaios sobre a situação feminina
de sua época e a literatura, reunindo-os no livro “Um teto todo seu”. São
marcantes a história da irmã de Sheakespeare e o desnudamento do tratamento
dado pelos críticos às mulheres que se dedicam às atividades intelectuais.
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"Não quero ser célebre nem grande. Quero avançar,
mudar, abrir meu espírito e meus olhos, recusar ser rotulada e estereotipada. O
que conta é liberar-se por si mesma, descobrir suas próprias dimensões, recusar
os entraves.” Virginia Woolf para Virginia Woolf (1882-1941), os livros eram o
único refúgio, e a literatura, a única salvação. Uma das maiores romancistas de
seu tempo, fundou juntamente com o marido uma das mais influentes editoras
britânicas do século XX, a Hogarth Press, que se notabilizou por publicar
autores como Katherine Mansfield e Freud. Foi também na casa de Virginia que
aconteceram as primeiras reuniões do famoso grupo de Bloomsbury, que
influenciaria a intelectualidade da época. A autora de Mrs. Dalloway viveu e
escreveu atormentada por alucinações e por sucessivas crises depressivas. Em
março de 1941, decidiu abreviar a vida deixando-se levar pelas águas geladas do
rio Ouse.







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