Nos dias de hoje, diante de uma vida atribulada, as pessoas
pensam cada vez mais em comida, embora dediquem cada vez menos tempo ao preparo
de suas refeições. Preocupam-se com a quantidade de calorias ingeridas e com a
qualidade dos ingredientes, mas reservam mais horas para assistir aos programas
de culinária na TV do que efetivamente passam dentro da cozinha. E enchem a
despensa com produtos industrializados supostamente ‘saudáveis’. Nesse cenário
tão contraditório, o escritor Michael Pollan convida o leitor a redescobrir a
experiência fascinante de transformar os alimentos. A partir dos quatro
elementos da natureza – fogo, água, ar e terra -, ele nos mostra o calor
ancestral do churrasco, o caldo perfumado dos assados de panela, a leveza dos
pães integrais e a magia da fermentação de um chucrute. Ao relatar suas
experiências pessoais com os processos de preparação da comida, Pollan mergulha
numa história tão antiga quanto a da própria humanidade e propõe uma
redescoberta de sabores e valores esquecidos. Cozinhar é, ao mesmo tempo,
investigação científica e narrativa pessoal, guia pragmático sobre o preparo de
alimentos e reflexão filosófica sobre a transformação da natureza. Partindo do
trabalho de filósofos e antropólogos, Pollan ressalta que o ato de cozinhar é
um dos fatores que definem a espécie humana. Ao aprender a usar o fogo para
preparar alimentos, nossos ancestrais abriram caminho para o desenvolvimento da
civilização. E ele alerta – precisamos reconquistar o território da cozinha.
Com isso, reforçamos vínculos comunitários e familiares e, ao mesmo tempo,
damos um passo importante para tornar nosso sistema alimentar mais saudável e
sustentável.
* * *
Neste manifesto a favor de uma alimentação de verdade,
Michael Pollan nos prova que, em vez de alimentos, somos levados a ingerir
'substâncias comestíveis parecidas com comida'. O autor denuncia as razões para
nossa alimentação se basear em produtos processados colocados à disposição de
acordo com as prioridades da agroindústria e da indústria alimentícia, e
conforme os dogmas da ciência da nutrição. Pollan investiga também os motivos
de a maior parte dos alimentos da dieta ocidental ser comercializada com
destaque de seus benefícios à saúde. Hoje os comestíveis anunciam 'vitaminas',
'baixo teor de gordura' ou 'enriquecimento' com ômega-3, ferro, magnésio, soja
- e uma série de elementos pretensamente saudáveis, que variam conforme
campanhas de marketing fundamentadas em diretrizes econômicas e/ou
governamentais. 'Em defesa da comida' ressalta que esse deve ser o primeiro
sinal de alerta. Afinal, quatro das dez principais causas de morte na
atualidade são doenças crônicas ligadas à alimentação - distúrbios
coronarianos, diabetes, AVC e câncer.
* * *
As prateleiras de um supermercado - estágio final de nossa
cadeia alimentar - são o ponto de partida escolhido pelo escritor e jornalista
americano Michael Pollan para a viagem de investigação empreendida em O dilema
do onívoro . O leitor é convidado a perfazer o caminho inverso - reconstituindo
o trajeto dos alimentos, desde o prato à nossa mesa até a sua origem derradeira
- o solo. Quanto mais longo e intrincado é o percurso que liga as duas pontas
dessa cadeia altamente industrializada, argumenta o autor, mais ignorantes nós
nos tornamos a respeito do que, em última análise, estamos comendo. Afinal, que
mistérios estão por trás de um simples item de um cardápio de fast-food, como,
por exemplo, um McNugget? Para responder a essa e outras perguntas, Pollan
armou-se da obstinação e do espírito meticuloso que caracterizam os grandes
repórteres investigativos. O jornalista leva o leitor a explorar, não apenas
intelectualmente, mas sensorialmente, todas as implicações - éticas e
ecológicas, econômicas e políticas - relacionadas ao ato de se produzir e
consumir um alimento. O resultado da investigação - um misto de reportagem,
ensaio e depoimento pessoal - surpreenderá os leitores ao revelar que a
aparente variedade dos modernos supermercados esconde uma alarmante
uniformidade imposta pela superprodução industrial. Para chegar a um
diagnóstico sobre o que considera a atual desordem alimentar, Michael Pollan
investiga três mundos diferentes - o do cultivo e produção de alimentos em
escala industrial, o do florescente negócio da agricultura orgânica - com o que
tem de promissor e de enganoso - e aquele ligado à caça e à coleta. Neste
último, ensaia uma volta, em pleno século XXI, à atividade primeira do Homo
sapiens, o onívoro por natureza que todos nós somos.
* * *
Escrito com a concisão, a sabedoria e a clareza que se
tornaram marcas registradas de Michael Pollan, esse manual estabelece uma série
de regras simples e fáceis de memorizar para comer com sabedoria – uma por
página, seguida de uma breve explicação quando necessário.
Pollan elegeu os princípios básicos que devem nortear a
dieta equilibrada e dividiu as regras da alimentação saudável em três
categorias. A primeira, "O que devo comer? Coma comida de verdade",
destina-se a distinguir o que é comida saudável das "substâncias
comestíveis parecidas com comida", que fazem adoecer e engordar. "Que
tipo de comida devo comer? Principalmente vegetais" esclarece distinções
entre os variados tipos de alimentos e questões como o consumo de carne – que
não precisa ser banida da dieta. Na terceira parte, "Como devo comer?
Pouco", ele aborda as estratégias para se chegar à maneira correta de se
alimentar com dicas que visam a evitar os excessos responsáveis pelo sobrepeso
e suas consequências.
Sucinto e prático, o livro Regras da comida: um manual da
sabedoria alimentar prova que comer bem pode ser fácil e muito prazeroso.







Nenhum comentário:
Postar um comentário