Livros ** Loureiro: Aldous Huxley (10 livros)



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Aldous Huxley (10 livros)



Neste seu último romance, datado do início dos anos 60, Aldous Huxley volta a falar de uma sociedade idealizada, como fizera em Admirável Mundo Novo , escrito três décadas antes. Em vez de situar seus personagens em um futuro sombrio, dominado pelo consumo e por sofisticados mecanismos de controle social, o autor elegeu uma fictícia ilha como palco de uma civilização que persegue serenamente a felicidade. Lá a autopia da existência plena é possível, e esse é o grande tema da discussão proposta nesta obra de Huxley.
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Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford. Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários. Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos. Como um alerta de que, ao não se preservarem os valores da civilização humanista, o que nos aguarda não é o róseo paraíso iluminista da liberdade, mas os grilhões de um admirável mundo novo.
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Mestre da "narrativa de ideias", Aldous Huxley retratou, com o rigor ferino do humor britânico, a comicidade involuntária da tragédia de seus personagens, atordoados na agitação desesperada dos "loucos anos 1920". Nesse período, Huxley publicou cinco livros de contos e novelas, seus primeiros quatro romances, além de vários volumes de ensaios, críticas e relatos de viagem. Três décadas e outra guerra depois, tendo trocada a velha Inglaterra pelos Estados Unidos e abandonado a narrativa curta para se dedicar aos experimentos filosóficos e aos romances, foi convencido a reunir seus melhores contos em um único volume. O resultado da escolha gerou o livro que o leitor tem em mãos, publicado pela primeira vez em 1857.
Os vinte e um contos valem por si, mas também reconhecemos neles a semente daquilo que, nos romances posteriores, iria caracterizar o típico narrador huxleyano: a crítica à afetação intelectual da elite inglesa e a exposição do tédio e do vazio de uma vida desprovida de sentido prático em tempos difíceis. A grandeza de Huxley, nesses breves contos, está na denúncia ao mesmo tempo trágica e irônica da pequenez do esnobismo elitista e vulgar de seus contemporâneos, e na firme convicção de que a cultura deve sempre criticar a si mesma, se não quiser ser reduzida a mera conversa de salão.
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Este Contraponto surpreenderá o leitor que espera outra ficção científica, ou um mundo tecnologicamente distante do nosso. Entretanto, confirmará vários dos elementos que estão em Admirável, e que foram tão caros a Aldous Huxley: o desencontro entre as pessoas, a frieza nas relações, a dificuldade de expressão, e o mundo avassalador que incita os homens, e os afastam. Afora o cenário árido dos sentimentos, sempre a mesma esperança de Huxley, um tanto melancólica, de que o as pessoas, finalmente, se encontrem. Publicado em 1930 e presente em várias listas dos Cem melhores romances do século XX, o livro é um retrato da sociedade decadente, que passa a forçadamente rever seus valores quando a aristocracia e o dinheiro “antigo” já não mais sustentam a imagem de uma sociedade ideal. Contraponto é um mosaico de personagens, agrupados em núcleos, que vão de uma aristocracia decadente a ricos emergentes na sociedade inglesa do início do século XX. E, neste cenário, abre-se todo espaço para que Huxley, a partir das relações entre as personagens, teça como que um grande ensaio sobre os valores morais e éticos, a ciência, a religião, a arte. Cada um desses elementos é personificado por uma ou mais personagens, e como numa sinfonia, é possível ir discernindo cada uma das pequenas melodias que a compõem. É dessa maneira que Contraponto torna-se um delicioso, ainda que melancólico, retrato de nossa época – sim, ainda de nossa época. Melancólico porque há a guerra, a hipocrisia, a mesquinharia e o onipresente dinheiro regendo tudo. Mas delicioso porque a figura da mulher, exemplarmente pintada em Lucy, surge inteligente, independente e emancipada. E o grotesco da sociedade marca o tempo da sinfonia e, se é triste, não deixa de ser um primor da criação de Huxley.
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Este "Folhas inúteis", de 1925, é apenas o terceiro romance de Huxley e já então o consagrava como um dos principais nomes da literatura inglesa moderna. Espécie de marco em sua bibliografia, um prenúncio dos temas sobre os quais se debruçaria em obras posteriores, há um traço de espírito próprio do gênio, que dedica suspeitas sentimentais, dores do coração e os inumeráveis conflitos da mente diante de uma sociedade que a achata, a uma classe de escrita sensível, de junção de proeza técnica com paixão humana.
Um fino retrato de um grupo que se encontra em um palacete italiano para discutir cultura, sociedade, o seu tempo. Ou antes, para lerem-se um ao outro nas entrelinhas de cada convite, pergunta ou comentário carregados de uma segunda intenção que salta à vista, tal qual o coração deixa falar nessas horas. Ou as máscaras sociais que são pouco a pouco desveladas no contato com o outro, ora na figura da imponente sra. Aldwinkle, ora no tato atrapalhado de cada um dos personagens que com ela interage.
Uma marca de Huxley que podemos ver com clareza neste "Folhas inúteis" é que o foco narrativo se desloca com facilidade por entre os espaços e por entre os personagens, como se parecesse perdido, buscando uma mão que o guie. Há, visivelmente, uma frustração perene no ar. Uma ânsia de recuperar um passado renascentista mas que não se resolve, por mais que o grupo ali se esforce para disfarçar isso.
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Nesta coleção de 26 ensaios, lançada em 1931, Huxley reflete sobre a expressão do inexprimível na música, sobre a vulgaridade nas artes, sobre as mudanças sexuais e de pensamento, sobre as ambiguidades do progresso, sobre a busca eterna por novos prazeres. O texto “Os sermões dos gatos”, por exemplo, observa o comportamento felino como um espelho da natureza humana. Já “A indústria da beleza” garante que, num futuro não muito distante, todos serão jovens para sempre.
É o auge de uma visão humanista, satírica e premonitória. Fascinantes e atemporais, os ensaios de Música na noite são indispensáveis para o entendimento das transformações que o século XX nos legou.
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Sátira e pesadelo profético, escrito sob a forma de um roteiro cinematográfico imaginário, O Macaco e a Essência se antecipa ao tempo e vai buscar o mundo no início do século XXII. O panorama é desolador: uma América destruída há mais de cem anos por uma guerra atômica e bacteriológica; o ser humano possuído pela estranha consciência que o obriga a destruir a natureza e a si próprio.
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Ao lado desse episódio verídico, os preconceitos e os dogmas em que mergulhava a França da época constituem os elementos a partir dos quais Huxley realiza uma profunda investigação sobra a natureza da vida espiritual – analisando principalmente a possessão como uma realidade que tem lugar dentro e fora da psique humana.
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O título deste romance deriva de um verso de John Milton (1608-1674) - um poeta cego - que na tragédia Samson Agonistes descreve a personagem bíblica Sansão como "sem olhos em Gaza, no moinho com os escravos". Huxley escolhe esse verso como epígrafe e título de seu romance numa alusão ao tema da obra, que é um retrato sem contemplações da espécie humana, aterrador e fascinante pela vaidade e pela alienação transparentes em sua conduta e valores. O cenário eleito por Huxley para este contundente estudo da cegueira do homo sapiens é a alta sociedade inglesa, entre o início do século XX e a década de 1930, onde se mesclam aristocratas decadentes, novos-ricos, intelectuais pretensiosos em meio a arrivistas e boêmios. Contra esse pano de fundo movimenta-se a personagem central, Anthony Beavis, um privilegiado a quem as circunstâncias permitiram gozar de autonomia de pensamento, afluência econômica e ausência de laços afetivos. Sem qualquer esforço moral, Beavis consegue atingir a independência de julgamento de um filósofo e a capacidade de renúncia de um santo. Contudo, essa é uma liberdade fácil, que Huxley reprova. Sua intenção é mostrar que não é de forma alguma a verdadeira liberdade, e que a indiferença filosófica e o desprendimento de seu herói nada têm a ver com os do legítimo pensador ou do homem de bem.
Também o Cisne Morre
O contato impactante com a América o levou a escrever este livro. Publicado pela primeira vez em 1939, o romance narra o encontro de Jeremy Pordage, scholar britânico um tanto arrogante e inseguro, e Jo Stoyte, milionário tão poderoso quanto superficial, que o contrata para analisar uns documentos antigos — Stoyte teria sido inspirado, assim como o Cidadão Kane de Orson Welles, em William Randolph Hearst, magnata das comunicações conhecido por todos que estavam de alguma maneira ligados ao mercado cinematográfico.
No castelo kitsch de Stoyte, com provas de mau gosto e ostentação, Pordage conhece ainda a senhorita Virginia Maunciple, a jovem amante de Jo; Sigmund Obispo, cientista cuja pesquisa sobre a longevidade tem sido financiada por Stoyte; e Pete Boone, assistente de Obispo, cujas convicções revolucionárias seriam abaladas pelas ideias pacifistas de William Propter. Durante a narrativa, as tramas sobre as pesquisas de Pordage e Obispo, intercaladas pelos discursos e reflexões de Propter, aproximam-se até culminarem num final surpreendente.

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