Livros ** Loureiro: Primo Levi (3 livros)



quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Primo Levi (3 livros)




Neste clássico da literatura contemporânea, Primo Levi dá um testemunho pungente de uma tragédia que afetou milhões de pessoas. Considerado o mais belo livro já escrito sobre a existência massacrada dos judeus deportados, É isto um homem? Não é, no entanto, um relato carregado de ódio e vingança. Desprovidos de saúde, os judeus nos campos de extermínio dificilmente poderiam ser identificados com os homens que eram antes da tragédia. Muito menos seus algozes sem rosto, senhores de escravos, mas sem vontade própria, num campo de morte onde ela, afinal, era o menor dos males.
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Primo Levi é conhecido em todo o mundo por ser o autor de alguns dos mais importantes relatos autobiográficos sobre os campos de concentração de Auschwitz, em livros como É isto um homem?, A trégua e Afogados e sobreviventes.
Em A chave estrela (1978), Levi cria um personagem que, em vez de estar submetido aos trabalhos forçados de um campo de extermínio, viaja pelo mundo construindo imensas instalações. Faussone, o protagonista que narra suas aventuras de operário especializado em montagens, transforma suas experiências cotidianas em verdadeiras epopeias do trabalho: seu engenho, sua habilidade e sua força fazem lembrar o herói de Homero ou Hércules em seus doze trabalhos.
Escrito em um estilo que se aproxima da oralidade, com digressões, idas e vindas, as histórias de Faussone também conferem uma dimensão concreta a um mundo cada vez mais dominado pela virtualidade da vida contemporânea: o trabalho com a matéria bruta.
O embate ancestral entre o homem e a natureza, trazido para os dias de hoje, é o ponto central deste romance, que restitui com uma extrema habilidade narrativa as maravilhas que os homens são capazes de fazer, mesmo em tempos de destruição.
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Depois de se tornar mundialmente famoso com os livros É isto um homem? (1947) e A trégua (1963), nos quais denunciava as atrocidades que viveu nos campos de concentração nazistas, Primo Levi surpreendeu seus leitores ao publicar, em 1966, o volume de contos intitulado Histórias naturais. Sob o pseudônimo de Damiano Malabaila, o escritor italiano passava da literatura de testemunho para o campo da ficção científica e do conto fantástico, rompendo o pacto autobiográfico dos dois primeiros livros.
Em 1971, Levi lançou – dessa vez sem recorrer ao pseudônimo – nova coletânea de contos, que desenvolviam alguns temas do volume anterior. Vício de forma veio confirmá-lo como um dos principais escritores da segunda metade do século XX, além de reforçar o aspecto mais propriamente ficcional de sua obra.
Finalmente, em 1981, Levi publicou o seu terceiro livro de contos, Lilith, dessa vez entremeando narrativas fantásticas e relatos autobiográficos, como se quisesse reiterar que as duas coisas andavam juntas e se complementavam. De fato, o sobrevivente de Auschwitz usa a imaginação para sondar as perspectivas deste mundo: a possibilidade de um colapso ambiental, a mercantilização total da vida, a mistura entre corpo e máquina, a emergência da realidade virtual, a indistinção entre humano e não-humano.

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