Livros ** Loureiro: George Orwell (8 livros)



domingo, 8 de novembro de 2015

George Orwell (8 livros)



Não é apenas mais um livro sobre política, mas uma metáfora do mundo que estamos inexoravelmente construindo. Invasão de privacidade, avanços tecnológicos que propiciam o controle total dos indivíduos, destruição ou manipulação da memória histórica dos povos e guerras para assegurar a paz já fazem parte da realidade. Se essa realidade caminhar para o cenário antevisto em 1984, o indivíduo não terá qualquer defesa. Aí reside a importância de se ler Orwell, porque seus escritos são capazes de alertar as gerações presentes e futuras do perigo que correm e de mobilizá-las pela humanização do mundo.
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Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, "A Revolução dos Bichos" é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos
Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.
Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.
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George Orwell infiltra-se, como a água da chuva e o frio, por entre as brechas das casas degradadas, na vida das comunidades de mineiros do Lancanshire, descendo com estes homens infaustos e desesperançados às minas e às catacumbas da existência humana. Orwell assume assim a sua origem nobre, não por ser essa a sua condição social e a origem da sua educação, mas porque conseguiu, sob a negregura da pele alheia, encontrar-se a si mesmo, o que afinal também se verifica a seguir, quando aborda a embaraçosa questão da elevada taxa de desemprego e as conse-quentes miserandas condições de vida. A partir daí, e já na segunda parte do livro, como uma consequência natural da experiência anterior, uma luz depois de um longo e escuro corredor subterrâneo, Orwell avança com as suas ideias, ou ideais, sobre o socialismo, sobre a forma crítica como este poderia ser aplicado e subsidiar a construção de outro mundo, longe do futuro previsto em Mil Novecentos e Oitenta e Quatro.
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Para George Orwell, nada substituía a experiência direta da vida. E foi com base na vivência pessoal e na observação crítica do mundo que ele escreveu ensaios, artigos e crônicas ao longo de toda a vida. Alguns dos mais representativos desses textos estão reunidos em Como morrem os pobres e outros ensaios.
Na primeira seção do livro, por exemplo, estão os relatos e reflexões de Orwell sobre sua vivência pessoal como sem-teto, colhedor boia-fria de lúpulo, presidiário e paciente de um hospital público. Em outra parte enfeixam-se seus vigorosos artigos sobre o uso da linguagem verbal no romance, na poesia, na propaganda política e no jornalismo.
A gama de interesses do escritor é inesgotável. Com a mesma verve e conhecimento de causa, ele fala sobre temas graves, como a hipocrisia intelectual, ao lado de assuntos mais leves e aparentemente até fúteis, como os trajes da elite britânica e o gosto do cidadão inglês por crimes sensacionalistas.
De todos os tópicos, sejam grandes ou pequenos, Orwell extrai revelações sobre a estrutura da sociedade, as mudanças nos costumes, as transformações profundas operadas na Inglaterra e no mundo na primeira metade do século XX.
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John Flory não esconde sua impaciência para com a vida de madeireiro na Birmânia (atual Mianmar) dos anos 1920, quando o remoto país asiático era uma colônia britânica. No clube de brancos racistas e bêbados que freqüenta, Flory é considerado um bolchevique por ser amigo dos “negros”, isto é, os nativos do lugar.
“Expressar-se livremente é impensável”, diz Flory, sobre a miserável existência na colônia. “Você é livre para virar um bêbado, ocioso, covarde, maledicente, fornicador; mas não é livre para pensar por si mesmo.”
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Esta edição, além de apresentar, em nova tradução, ‘Homage to Catalonia’ e ‘Looking back on the Spanish War’, também em nova tradução, quer ampliar a percepção que o público brasileiro possa ter de Orwell, da Guerra Civil Espanhola e de seus relatos. Para isso, foram selecionados outros 25 textos de ‘Orwell in Spain’, que possibilitam ao leitor penetrar no intrincado labirinto de questões em torno da guerra e de suas variadas interpretações. A partir da correspondência do escritor, de testemunhos que escreveu quando solicitado por periódicos e de sua incansável atividade de crítica política ou da historiografia sobre a Guerra Civil, vamos ainda encontrar indicações de que o autor alterou em parte suas avaliações e orientações político-ideológicas. O livro abre com ‘Homenagem à Catalunha’, seguido de ‘Recordando a Guerra Civil Espanhola’. Depois, os 25 textos selecionados são apresentados cronologicamente, cobrindo um período mesmo anterior à redação de homenagem à Catalunha e que se estende até meados de 1940. A tradução foi feita a partir da edição inglesa que reúne todos os textos de Orwell sobre a Espanha e a guerra devidamente anotados para o esclarecimento de passagens ou dados específicos. A leitura desses textos permitirá ao leitor acompanhar o percurso de auto-esclarecimento de Orwell acerca da extensão e expansão do fenômeno do totalitarismo, bem como do problema relativo à complexidade da verdade histórica, sistematicamente fabricada e manipulada, em particular pela grande imprensa.
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Dorothy Hare, a filha do reverendo, tem todas as razões do mundo para se rebelar contra a repressão paterna e social. Mas, porque nunca ousaria fazê-lo, devotada que é ao pai, uma providencial amnésia lhe mostra o sabor amargo da liberdade.
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Os brasileiros conhecem bem o George Orwell de 1984 e A revolução dos bichos, duas fábulas políticas que marcaram época pelas críticas ao totalitarismo em imagens fortes. Mas a faceta de jornalista e ensaísta, apresentada agora em Dentro da baleia, merece igual atenção. Sua prosa de não-ficção tem a mesma capacidade de prender o leitor e, de tão cristalina e flexível, tornou-se um estilo que as boas escolas de jornalismo estudam no mundo todo. Seus temas continuam vivos por obra e graça de sua transparência corajosa e poder descritivo. Mesmo as reflexões políticas circunstanciais falam ao leitor de hoje.A organização do livro, a cargo do jornalista Daniel Piza, procura abarcar a variedade de assuntos que interessava a Orwell. Na primeira parte, Orwell escreve sobre a carreira de escritor e lembra o período em que trabalhou como vendedor num sebo de livros. Ele também discute a arte da resenha e cria a categoria dos "bons livros ruins", aqueles que seguimos lendo com empolgação mesmo cientes dos defeitos. Na segunda parte, temos o Orwell memorialista e analista político. Textos como "Um enforcamento" e "O abate de um elefante" são clássicos do jornalismo literário. Em "Reflexões sobre Gandhi", Orwell causa controvérsia ao criticar a vaidade do pacifista mais famoso do século XX. Na terceira e última parte, literatura e política se misturam ainda mais, e ele examina autores como H.G. Wells, Tolstoi, Swift e Mark Twain à luz de suas opções políticas.A pergunta que mais inquietou Orwell foi justamente a relação entre o escritor e a política, discutida no ensaio que dá título ao livro. Para ele, o escritor não deve ter visão partidária da realidade, mas também não pode fugir da responsabilidade de imaginar uma sociedade melhor. Como supunha que o mundo caminhava para o totalitarismo (a maioria de seus ensaios foi escrita nos anos 30 e 40), lamentou a morte do romance. Sua própria ficção, porém, foi prova do contrário. Em harmonia com seus ensaios, deu um grito de resistência que ainda ecoa.

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