Com 23 anos a infanta Catarina de
Bragança, filha de D. Luísa de Gusmão e de D. João IV, deixou para trás tudo o
que lhe era querido e próximo para navegar rumo a uma vida nova. No coração um
misto de tristeza e alegria. Saudades da sua Lisboa, de Vila Viçosa, do cheiro
a laranjas, dos seus irmãos que já haviam partido deste mundo e dos que ficavam
em Portugal a lutar pelo poder. Mas os seus olhos escuros deixavam perceber o
entusiasmo pelo casamento com o homem dos seus sonhos, Charles de Inglaterra,
um príncipe encantado que Catarina amava perdidamente ainda antes de o
conhecer.
Por ele sofreu num país do qual
desconhecia a língua, os costumes e onde a sua religião era condenada. Assistiu
às infidelidades do marido, ao nascimento dos seus filhos bastardos enquanto o
seu ventre permanecia liso e seco, incapaz de gerar o tão desejado herdeiro.
Catarina não conseguiu cumprir o único objectivo que como mulher e rainha lhe
era exigido. Se ao menos não o amasse tanto!, pensava nas noites mais longas e
tristes...
* * *
Filipa de Portugal morreu de peste
negra, tal como a sua mãe, a 15 de Julho de 1415. Com 55 anos. No dia 25
partiam de Lisboa 240 embarcações e um exército de 20 mil homens, entre os
quais D. Duarte, o Infante D. Henrique e D. Pedro. A Praça de Ceuta caía cerca
de um mês depois. D. Filipa não esperaria outra coisa dos seus filhos…Mulher de
uma fé inabalável, conhecida pela sua generosidade, empreendedora e determinada
a mudar os usos e costumes de uma corte tão diferente da sua, Filipa de
Lencastre deu à luz, aos 29 anos, o primeiro dos seus oito filhos. A chamada
Ínclita Geração, que um dia, como ela, partiria em busca de novos mundos e
mudaria para sempre os destinos da nação.Frei John, o tutor já tinha previsto o
seu destino nas estrelas. Nasceu Phillipa of Lancaster, filha primogénita de John
of Gaunt, mas aos 29 anos deixou para trás a sua querida Inglaterra para se
casar com D. João I de Portugal. A 11 de Fevereiro de 1387 o povo invadiu as
ruas da cidade do Porto para aclamar carinhosamente D. Filipa de Lencastre,
Rainha de Portugal. Num romance baseado numa investigação histórica cuidada,
Isabel Stilwell conta-nos a vida de uma das mais importantes rainhas de
Portugal. Desde a sua infância em Inglaterra, onde conhecemos a corte do século
XIV, à sua chegada de barco a Portugal onde somos levados numa vertigem de
sentimentos e afectos, aventuras e intrigas.
* * *
Com apenas sete anos, Maria da
Glória torna-se rainha de Portugal, um país que ela não conhecia. Sua infância
foi vivida no Brasil, dias longos e quentes entre os morros verdes e as praias
de areia branca, segura pelo amor de sua adorada mãe, Leopoldina da Áustria. A
ofuscar esta felicidade apenas Domitila, a amante do imperador do Brasil e seu
pai, D. Pedro I. Em 1828 parte rumo a Viena para ser educada na corte dos avós.
Para trás deixa a mãe sepultada, os seus queridos irmãos e a sua marquesa de
Aguiar, amiga e protetora. Traída pelo seu tio D. Miguel, que se declara rei de
Portugal, e a quem estava prometida em casamento, Maria da Glória acaba por
desembarcar em Londres, onde conhece Vitória, a herdeira da coroa da
Inglaterra, a quem ficará para sempre ligada por uma estreita relação de
amizade. Aos quatorze anos, finda a guerra civil, Maria da Glória pisa pela
primeira vez o solo de Portugal. Prometeu a si mesma que seria uma boa rainha
para aquela gente que a acolhia em festa e uma mulher feliz, mais feliz do que
a sua querida mãe. Fracassada a união com o tio, agora exilado, casa-se com
Augusto de Beauharnais, que um ano depois morre de difteria. Teimosa e
determinada, não desistia assim tão facilmente da sua felicidade e encontra-a
junto de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, pai dos seus onze filhos.
* * *
Uma rainha não foge, não vira as
costas ao seu destino, ao seu país. D. Amélia de Orleãs e Bragança era uma
mulher marcada pela tragédia quando embarcou, em Outubro de 1910, na Ericeira
rumo ao exílio. Essa palavra maldita que tinha marcado a sua família e a sua
infância. O povo acolheu-a com salvas, anos antes, quando chegou a Lisboa.
Admirou a sua beleza, comentou como era alta e ficou encantado com o casamento
de amor a que assistiu na Igreja de São Domingos. A princesa sentia-se uma
mulher feliz. Mas cedo começou a sentir o peso da tragédia. O povo que a
aclamou agora criticava os seus gestos, mesmo quando eram em prol dos mais
desfavorecidos. O marido, aos poucos, afastava-se do seu coração, descobriu-lhe
traições e fraquezas e nem o amor dos seus dois filhos conseguiu mitigar a dor.
Nos dias mais tristes passava os dedos pelo colar de pérolas que D. Carlos lhe
oferecera, 671 pérolas, cada uma símbolo dos momentos felizes que teimava em
não esquecer. Isabel Stilwell, autora best-seller de romances históricos,
traz-nos a história da última rainha de Portugal. D. Amélia viveu durante 24
anos num país que amou como seu, apesar de nele ter deixado enterrados uma
filha prematura que morreu à nascença, o seu primogénito D. Luís Filipe,
herdeiro do trono, e o marido D. Carlos assassinados ao pleno Terreiro do Paço
a tiro de carabina e pistola. De nada lhe valeu o ramo de rosas que tinha na
mão e com o qual tentou afastar o assassino. Outras mortes a perseguiriam... D.
Amélia regressou em 1945 a convite de António de Oliveira Salazar com quem
mantinha correspondência e por quem tinha uma declarada admiração. Morreu seis
anos depois em França, seu país natal, na cama que Columbano havia pintado para
ela. Na cabeceira estavam desenhadas as armas dos Bragança.
* * *
Era feita de luzes e de sombras.
O pintor flamengo Van Ecky havia
entendido a sua essência como ninguém e pintado as linhas do seu rosto e o seu
caráter, em dois quadros distintos, para mostrar ao noivo Filipe III, duque da
Borgonha. Um feito de luzes, outro feito de sombras.
Isabel, tal como a sua mãe, D.
Filipa de Lencastre, casava tarde. E a ideia de deixar Portugal, o pai
envelhecido, os cinco irmãos em constante desacordo, e Lopo, irmão de leite e
melhor amigo, para partir para um país longínquo e gelado atormentava-lhe o
coração. Era a terceira mulher de Filipe, já duas vezes viúvo, esperava vir a
dar-lhe o herdeiro legítimo de que Borgonha tanto precisava. A sua fama de
mulherengo atravessava fronteiras… Mas Isabel sabia que nascera para cumprir um
destino, ser a Estrela do Norte, que firme no céu indica o caminho. Saberia
mudá-lo, torná-lo num homem diferente, acreditava Isabel. Na manga levava um
trunfo que apenas partilhava com o seu irmão Henrique e com o seu fiel Lopo, na
esperança de se tornar, senão amada, pelo menos indispensável. Mas ao longo da
sua vida, as sombras foram ganhando terreno e os acontecimentos precipitaram-se
numa espiral que Isabel não conseguia travar, e de que apenas o seu filho a
podia salvar.







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