"Obra publicada em 1931, um ano após a morte da
poetisa, mas foi escrita em 1927, logo após a morte do irmão de Florbela.
Muito se tem discutido sobre a natureza da relação de
Florbela como o seu irmão Apele, havendo muitas especulações se a poetisa
sentia pelo irmão algum amor platônico em segredo; se esse era um sentimento
recíproco e mantinham ambos uma relação incestuosa; ou se tudo era fruto de uma
forte ligação de amizade fraternal. Especulações à parte, o que se sabe é que
Florbela via no irmão, segundo palavras suas, a sua “verdadeira alma gêmea”;
alguém lhe estava intelectualmente mais próximo e que, simultaneamente,
representava o elo com a infância e o ponto de apoio firme da poetisa. Quando
ela oscilava entre um sentimento de desvalorização de si própria e o desejo de
ser valorizada, era a influência de Apeles que a conduzia ao equilíbrio."
* * *
"Escrito por Florbela em 1927, quatro anos antes de
outro livro de contos “Máscaras do Destino”, no entanto só publicado em 1982,
50 anos após a sua precoce morte, devido a disputas de partilhas dos direitos
de autor.
Desiludida por não ter, na altura, encontrado uma editora
que publicasse o seu livro de poemas “Charneca em Flor” (que viria depois a
dar-lhe fama) , Florbela Espanca decide abandonar por uns tempos a Poesia e
ingressar na Prosa através da forma do Conto – decisão muito provavelmente
impulsionada pelo seu trabalho de tradutora de romances franceses que assumira
naquele ano.
Não há indícios que demonstram que Florbela alguma vez
tivesse pretensão de publicar estes seus contos. No inicio do manuscrito, que
não assinou, nem datou, deixou esta anotação: ”Primeiros ensaios (coisas para
aproveitar) ou antes, para não aproveitar… Tolices!” dando a entender que a
própria não olhava com muita seriedade para estas suas incursões na
prosa."
* * *
"Antologia completa dos poemas da mais apreciada
poetisa portuguesa – Florbela Espanca, publicados nas obras: “Livro de Mágoas”,
“Livro de Sóror Saudade”, “Charneca em Flor”, “Reliquiae” e “O Livro Dele”.
Compêndio poético da poetisa reunido por Guido Battelli num
volume chamado Sonetos Completos, publicado pela primeira vez em 1934. Somente
duas antologias, Livro de Mágoas (1919) e Livro de Sóror Saudade (1923), foram
publicadas em vida da poetisa. Outras, Charneca em Flor (1931), Juvenília
(1931) e Reliquiae (1934) saíram só após o seu falecimento.
É à poesia de Florbela, quase sempre em forma de soneto, que
ela deve a fama e o reconhecimento. A temática abordada é principalmente
amorosa. O que preocupa mais a autora é o amor e os ingredientes que
romanticamente lhe são inerentes: solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo e
morte."







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