Rami, casada há vinte anos com Tony, um alto funcionário da
polícia, de quem tem vários filhos, descobre que o partilha com várias
mulheres, com as quais ele constituiu outras famílias. O seu casamento, de
«papel passado» e aliança no dedo, resume-se afinal a um irónico drama de que
ela é apenas uma das personagens. Numa procura febril, Rami obriga-se a
conhecer «as outras». O seu marido é um polígamo! Na via dolorosa que então
começa, séculos de tradição e de costumes, a crueldade da vida e as diferenças
abissais de cultura entre o norte e o sul da terra que é sua, esmagam-na. E só
a sabedoria infinita que o sofrimento provoca lhe vai apontando o rumo num
labirinto de emoções, de revelações, de contradições e perigosas ambiguidades.
Poligamia e monogamia, que significado assumem? Cultura, institucionalização,
hipocrisia, comodismo, convenção ou a condição natural de se ser humano, no
quadro da inteligência e dos afetos? Paulina Chiziane estende-nos o fio de
Ariadne e guia-nos com o desassombro, a perícia e a verdade de quem conhece o
direito e o avesso da aventura de viver a vida. Niketche, dança de amor e
erotismo, é um espelho em que nos vemos e revemos, mas no qual, seguramente, só
alguns de nós admitirão refletir-se.
Problema com os links, favor avisar nos comentários da
respectiva postagem.







Nenhum comentário:
Postar um comentário