Antonin
Carême foi o primeiro chef a se tornar uma celebridade e a cobrar muito caro
por isso. A saborosa biografia escrita por Ian Kelly, ator e gourmet que já
viveu Carême no palco, reconstitui a vida do menino órfão, que foi abandonado à
própria sorte nos tumultuados anos da Revolução Francesa, e acabou se
transformando no cozinheiro preferido de políticos como Napoleão e o czar
Alexandre e milionários como o casal Rothschild. Conhecido como
"cozinheiro dos reis e rei dos cozinheiros", Carême soube entender
como poucos a transformação pela qual passava a França depois da Revolução e,
sobretudo, depois dos sangrentos anos do Terror instaurado pelo governo jacobino.
Desde a
euforia coletiva com que tinha saudado a queda de Robespierre, em 1784, Paris
tentava se reinventar como a "Cidade Luz" e a capital da comida. E
chegaria assim ao século XIX, com a colaboração fundamental de Carême.
Metódico, mas profundamente criativo, ele era um apaixonado por sopas - criou
centenas de receitas delas -, mas ficou mais conhecido como pâtissier. Tinha
obsessão por arquitetura e costumava criar sobremesas feitas de açúcar que
tinham a forma de templos gregos ou igrejas e decoravam as mesas das recepções
reais.
Aperfeiçoou
a massa folhada - criou o vol-au-vent - e também foi um mestre em pratos frios,
doces ou salgados. Inventou ainda a estrutura de cardápio que conhecemos hoje -
com entrada, pratos principais e sobremesa - e também popularizou o serviço
russo, em que o comensal recebe um prato de cada vez. Antes dele, todos os
pratos eram dispostos num confuso sistema de bufê. Carême - que morreu aos 48
anos, envenenado pela fumaça de carvão dos fogões - foi o pioneiro da nouvelle
cuisine com muita justiça: a mesa nunca foi a mesma depois dele. Belamente
ilustrado, o livro traz um pequeno glossário de termos da culinária e uma
seleção de receitas que dão ao leitor a chance de provar os sabores e aromas
das mesas reais.
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