A história
de Gabriela Leite, a ex-aluna de Filosofia da USP que decidiu virar prostituta
aos 22 anos.
Quando
decidiu virar prostituta, no início dos anos 70, Gabriela Leite estudava
Filosofia na USP. Ex-aluna dos melhores colégios paulistanos, tinha um emprego
de secretária e morava com a mãe. Foi observando a rotina das mulheres que
trabalhavam nas boates próximas aos barzinhos que freqüentava nos arredores da
faculdade que Gabriela sentiu-se atraída por aquele universo e passou a
fantasiar sobre o que acontecia lá dentro. Movida pela "curiosidade e pelo
desejo de uma revolução pessoal", optou pela vida de prostituta do
"baixo meretrício", que assumiu sem qualquer constrangimento.
Filha de um
crupiê e de uma dona de casa de classe média, aluna dos melhores colégios
públicos paulistanos, Gabriela conta que encontrou uma vida bem diferente
daquela que imaginava quando decidiu ser prostituta. Desde quando começou a
receber os primeiros clientes em 1973, num quartinho apertado na Boca do Lixo
de São Paulo, até sua chegada à Vila Mimosa, famosa zona de prostituição
carioca onde morou por mais de dez anos, a autora passou por momentos de perda
e solidão e teve que encarar seus próprios preconceitos.
Neste
livro, Gabriela conta em detalhes sua surpreendente trajetória, que culminou
com a criação da famosa marca de roupas Daspu e da Ong DaVida, símbolos hoje
reconhecidos internacionalmente pelo trabalho irreverente e ousado na luta
contra o preconceito e a discriminação da classe. Com franqueza e coragem, a
autora fala nesta autobiografia de todos os tabus que aguçam a curiosidade do
imaginário coletivo em torno da rotina das prostitutas. As fantasias sexuais
dos clientes, o contato forçado com o sadomasoquismo, a relação com homens
casados e cafetões, o uso de drogas como atenuante da rotina, a repulsa a
clientes, orgasmo, tudo isso é abordado pela autora com absoluta naturalidade.
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