A crônica de uma família no Rio de Janeiro que compartilha o
humor particular e o desgosto genético.
Glória conta a história dos Alencar Costa e Oliveira, uma
"família de doentes imaginários". Eles se comunicam com chistes,
tiradas, diálogos zombeteiros. Falam o oposto do que querem dizer ou repetem as
mesmas frases até que passem a ter outro sentido. Neste caso, o bordão oficial
da casa quando algo dá errado — a comida queima no forno, os filhos não param
quietos — é "Deus é, era, gago". Serve, como se vê, para quase todas
as situações.
Além do humor idiossincrático, os Alencar Costa e Oliveira
têm outra característica em comum. Ninguém da linhagem morre de doença ou de
acidente. A melancolia aguda, fatalidade que se repete de geração em geração, é
a maldição que paira sobre o sobrenome. Esta talvez seja a única tradição da
família: a causa do óbito, invariavelmente, é o desgosto.
Com erudição, graça e inventividade, Victor Heringer traça o
destino de três irmãos — Daniel, Abel e Benjamin —, misturando referências
literárias e notas de rodapé improváveis. Neste livro nonsense e engenhoso, o
estilo à la Machado de Assis se funde ao cotidiano carioca do século XXI,
quando as formigas invadem o bairro da Glória e os personagens frequentam uma
sala de bate-papo virtual em que a palavra de ordem é a ironia.
Problema com os links, favor avisar nos comentários da
respectiva postagem.







Nenhum comentário:
Postar um comentário