É o inverno mais frio dos últimos tempos. Perto de
Linköping, no coração da Suécia, um homem é encontrado morto, pendurado numa
árvore. O estado do corpo faz lembrar os rituais de uma antiga religião viking,
em que, justamente nessa época do ano, se ofereciam animais e seres humanos aos
deuses em troca de felicidade e bem-estar. Mas os tempos são outros. Terá sido
mesmo uma oferenda ou tão somente um crime com requintes de crueldade?
Lá do alto, sob as estrelas do céu, uma voz se faz ouvir. A
detetive Malin Fors é a única capaz de percebê-la; uma presença que acompanhará
de perto seus esforços para reconstruir o crime. Com sua sensibilidade aguçada
e o apoio de Zeke, seu parceiro nas investigações, Malin terá de buscar as
pistas encobertas pela neve. Sua única certeza é de que o achado irá abalar a
vida tranquila da cidade e trazer de volta terríveis segredos há muito
escondidos...
É o verão mais quente de todos os tempos na província de
Östergötland, no centro da Suécia. A cidade de Linköping sofre com uma bolha de
calor, e nas florestas próximas eclodem os piores incêndios jamais vistos na
área. Numa manhã, bem cedo, uma garota de catorze anos, é encontrada nua e
ensanguentada, no maior parque da cidade. A jovem não se lembra de nada e não
existem muitas pistas no local para a inspetora Malin Fors e seu colega Zeke
seguirem. Mas quem foi que telefonou e contou onde iriam encontrar a garota e o
que, realmente, aconteceu com ela?
Malin, que tem uma filha mais ou menos na mesma idade da
jovem, fica muito consternada com o caso. Ao mesmo tempo, outra garota é dada
como desaparecida pelos pais e, logo a seguir, faz-se uma nova descoberta numa
praia fluvial, fora da cidade. O verão mais quente se transformará, em breve,
num verdadeiro inferno.
No fosso do castelo medieval Skogså, no centro da Suécia,
flutua o cadáver do seu dono, o advogado Jerry Petersson, esfaqueado com
quarenta golpes no ventre. Para desvendar o misterioso assassinato, foi
escalada a experiente detetive Malin Fors. As suspeitas da inspetora recaem
sobre os antigos proprietários do local, a aristocrática família Fågelsjö que,
com muita relutância, colocou o castelo à venda. Ao mesmo tempo, as
investigações levam-na a se questionar sobre quem era realmente o impulsivo
Petersson. Para complicar ainda mais a montagem do quebra-cabeça, Malin
atravessa problemas familiares com o ex-marido, Janne, e com a sua filha, Tove,
além de um atrito com os seus pais. Todos esses transtornos levam Malin a beber
desmedidamente, com consequências diretas no seu desempenho profissional.
O sol da primavera brilha sobre Linköping, no centro da
Suécia, e sobre seus habitantes ainda pálidos, marcados pela escuridão do
prolongado inverno, que ousaram sair para tomar café nas esplanadas da praça.
Algumas andorinhas voam em círculos e as bancas de flores já exibem as suas
tulipas coloridas. Acompanhada de duas crianças, uma mãe dirige-se ao caixa
eletrônico de um banco. De repente, a calmaria é interrompida por uma forte
explosão. A partir daí, Linköping nunca mais será a mesma. A detetive Malin
Fors está diante do caixão da sua mãe na Capela da Ressurreição e tenta sentir
algum tipo de emoção. Irrompe no local um vago murmúrio, e logo ela está a
caminho da Grande Praça – e de uma visão que jamais iria esquecer. Estilhaços
de vidros. Tulipas despedaçadas. Verduras espalhadas por toda parte. Um sapato
infantil rasgado. Uma pomba bicando o que aparenta ser um pedaço de carne. Uma
tragédia no meio de um silêncio ensurdecedor.







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