Albertino Aor da Cunha - A Mentira Nua e Crua:
Desde que a criatura humana apareceu sobre a Terra trazendo
consigo a tendência inata para ocultar a verdade, sempre que esta podia lhe ser
nociva, carregou consigo um ábito, o de
ter-se valido da simulação, talvez, a princípio, constituída por atos
absolutamente inconscientes e totalmente involuntários. Depois, mais tarde, a
praticou com as cautelas sugeridas pela preocupação do perigo e pelo estudo
para evitá-lo. Por
último, quando da evolução de sua mentalidade, adquiriu o
uso da linguagem falada e criou a mentira. O certo é que a humanidade não quis nunca
ser ela própria, a advertir suas verdadeiras intenções, entendendo que seu
destino não seria outro, separando o indivíduo da sociedade, invertendo todo
uma problemática, “colocando a vida na morte, o bem no mal e a evolução na
máscara”, conforme explicou Norberto R.Keppe
em seu livro Psicanálise da Sociedade (Proton, SP, 1976).
A mentira aparecida nos primeiros alvores da sociedade
humana como meio necessário de adaptação às condições da luta para conseguir variados
fins, através de mitos e lendas das civilizações primitivas, acompanhou a
humanidade em todos os seus passos, como a sombra segue o corpo, até chegar à
critura moderna e fixar-se, tenazmente, nos
seus costumes, apesar da religião e da moral a combaterem
asperamente.







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